De Olhos Fechados
Sentado ali em frente ao seu congá, o velho Pai de Santo relembra com surpreendente nitidez a sua infância e seu primeiro contato com a espiritualidade.
Nitidamente ele se vê na tenra infância a brincar sozinho no amplo quintal da casa de seus pais. Lembra-se que alguma coisa o fez olhar para as nuvens e que diante dele uma estranha imagem se formou; um velho sentado ao redor de uma fogueira e um menino a ouvir-lhe as histórias,
De alguma forma, o menino ao ver aquela cena, sabia que se tratava dele mesmo.
O tempo passou e a cena jamais foi esquecida e também jamais revelada, o acompanha em sonhos e lembranças. Cresce e acaba por se tornar um médium umbandista.
Aos poucos vai conhecendo seus guias que vão tomando seu corpo nas diversas “giras de desenvolvimento”. Primeiro o Caboclo, que lhe parece muito grande e forte; depois os demais até que ao completar 18 anos, o seu Exú também recebe permissão para incorporar.
Já não é mais médium de gira. A bem da verdade, ocupa o cargo de Pai Pequeno de Terreiro. Percebe que não tivera uma adolescência com a da maioria dos jovens que lhe cercam na escola. Não vai a bailes, festas …. Dedica-se com uma curiosidade e um amor cada vez maior à prática da
caridade.
Os anos passam e ele acaba por abrir seu próprio terreiro. Inúmeras pessoas procuram seus guias e recebem sempre um lenitivo, uma palavra de consolo, uma esperança.
Foram tantos os pedidos e os trabalhos realizados que já perdera a conta. Viu inúmeras pessoas que declaravam amor eterno pela Umbanda se afastarem, criticando o que ontem lhes era sagrado, porque alguns de seus pedidos, não haviam sido alcançados na plenitude desejada.
Presenciou pessoas que vindas de outras religiões, encontravam a paz dentro do terreiro. Este, era mantido a duras penas já que nada cobrava pelos trabalhos realizados. “Daí de graça, o que de graça recebestes”.
Solteiro, permanecia até hoje pois embora tivesse muitas mulheres que lhe foram caras, nenhuma delas suportou ficar a seu lado. Para ele, a vida sacerdotal se impunha a qualquer outro tipo de relacionamento.Mesmo assim, amava todas aquelas que lhe fizeram companhia em sua jornada
terrena.
Brincava o velho Pai de Santo quando lhe perguntavam se era casado…. Respondia bem humorado que se casara muito cedo, ainda menino. A curiosidade dos interlocutores quanto ao nome de sua mulher era satisfeita com uma só palavra: Umbanda. Este era nome de sua mulher.
Com o passar do tempo a idade foi chegando. Muitos de seus Filhos de Fé seguiram seus destinos, vindo eles próprios, a abrir suas casas de caridade. O peso da idade não o impede de receber suas entidades e ainda ecoa pelo velho e querido terreiro o brado de seu Caboclo; o cachimbo do
Preto Velho ainda perfuma o ambiente, a gargalhada do Exú ainda impressiona, a alegria do Erê emociona a ele e a todos… Enfim, sente-se útil ao trabalhar.
Hoje não tem gira, o terreiro está limpo, as velas estão acessas e tudo parece normal. Resolve adentrar ao terreiro para passar o tempo. Perdera a noção da horas.
Apura os ouvidos e sente passos ao seu redor. Percebe que alguém puxa os pontos e o atabaque toca. Ele está de frente para o congá. O cheiro da defumação invade suas narinas…. Seus olhos se enchem de lágrimas na mesma proporção que seu coração se enche de alegria. Estranhamente não sente coragem ou vontade de olhar para traz…. apenas canta junto os pontos. Fixa as imagens do altar, fecha os olhos e ainda assim vê nitidamente o congá. Parece que percebe o movimento do terreiro aumentar e vira de costas para o congá e a cena o surpreende: Vê Caboclos, boiadeiros,pretos velhos, marujos, baianos, erês e toda uma gama de Guias. Até os Exús e Pombas Giras estão ali na porteira. Se dá conta que os vê como são - não estão incorporados, todos lhe sorriem amavelmente.
Dentre tantos Guias percebe aqueles que incorporam nele desde criança. Tenta bater cabeça em homenagem a eles, mas é impedido. O Caboclo, seu Guia de frente se adianta e lhe abraça, brada seu grito guerreiro, sendo acompanhado pelos demais.
* O Velho Pai de Santo não agüenta e chora emocionado.
* As lágrimas lhe turvam a vista. Ele fecha seus olhos e ao abri-los, todosos Guias permanecem em seus lugares, porém calados….
* Nota uma luz brilhante em sua direção. Iansã e Omulú se aproximam. Seu Caboclo os saúda e é correspondido.
* A luz o envolve. Já não se sente velho, na verdade, sente-se jovem como
nunca, seu corpo está leve e levita em direção à luz.
Todos os Guias lhe fazem reverência.
* O terreiro vai ficando longe, envolto em luz….. Sorri alegre. Missão cumprida.
* No dia seguinte encontram seu corpo aos pés do congá. Parece que sorri….
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Muitas felicidades e sucesso no seu trabalho.
bjs. Edna
Tenha uma boa tarde e um bom final de semana.
Por vezes, você caminha pela vida com o olhar voltado para o chão, pensamento em desalinho, como quem perdeu o contato com sua origem divina.
Olha, mas não vê... Escuta, mas não ouve. Toca, mas não sente...
Perdido na névoa densa que envolve os próprios passos, não percebe que o dia o saúda e convida a seguir com alegria, com disposição, com olhar voltado para o horizonte infinito, que lhe acena com o perfume da esperança.
Considere que seu caminhar não é solitário e suas dores e angústias não passam despercebidas diante dos olhos atentos do Criador, que lhe concede a dádiva de viver.
Sua vida na terra tem um propósito único, um plano de felicidade elaborado especialmente para você. Por isso, não deixe que as nuvens das ilusões e de revoltas infundadas contra as leis da vida, tornem seu caminhar denso e lhe toldem a visão do que é belo e nobre.
Siga adiante refletindo na oportunidade milagrosa que é o seu viver.
Inspire profundamente e medite na alegria de estar vivo, coração pulsante, sangue correndo pelas veias, e você, vivo, atuante, compartilhando deste momento do mundo, único, exclusivo. E você faz parte dele.
Sinta quão delicioso é o aroma do amanhecer, o cheiro da grama, da terra após a chuva, do calor do sol sobre a sua cabeça, ou da chuva a rolar sobre sua face.
Sinta o imenso prazer de estar vivo, de respirar. Respire forte e intensamente, oxigenando as idéias, o corpo, a alma. Sinta o gosto pela vida.
Detenha-se a apreciar as pequeninas coisas que dão sentido à vida.
Aquela flor miúda que, em meio à urze sobrevive linda, perfumosa, a brilhar como se fosse grande.
Sinta-se vivo ao apreciar o vôo da borboleta ou do pássaro à sua frente.
Escute os barulhos da natureza, a água a escorrer no riacho, ou simplesmente aprecie o céu, com suas nuvens a formar desenhos engraçados fazendo e desfazendo-se sobre seus olhos. Quão maravilhosa é a vida!
Mas, se o céu estiver escuro e você não puder olhá-lo, detenha-se no micro universo, olhe o chão. Quanta vida há no chão...
Minúsculos seres caminhando na terra, na grama... A formiga na sua luta diária pela sobrevivência... A aranha, a tecer sua teia caprichosamente, e tantas coisas para ver, ouvir, sentir, cheirar, para fazer você sentir-se vivo.
Observar a natureza é pequeno exercício diário que fará você relaxar, esquecer por instantes as provas, ora rudes, ora amenas, que a vida nos impõe.
Somos caminhantes da estrada, somando, a cada dia, virtudes às nossas vidas ainda medíocres, mas que se tornarão luminosas e brilhantes.
Aprenda a dar valor à dádiva da vida. Isso fará o seu dia se tornar mais leve e, em silêncio, sem palavras, sem pensamentos de revolta, você terá tido um momento de louvor a Deus.
Aprenda a silenciar o íntimo agitado e a beneficiar-se das belezas do mundo que Deus lhe oferece.
A sabedoria hindu aprecia, na natureza, o que Deus desejou para ela: que fosse aliada do homem no seu progresso, oferecendo o alimento, dando-lhe os meios de defender-se das intempéries.
E, sobretudo, sendo o seu colírio diário suavizando as aflições da vida.
A noite é quase gelada...
Contudo, Mariazinha
a menina de outras noites
Que treme, tosse e caminha...
Risos longe, risos perto...
É Natal de paz e amor.
Há muitas vozes cantando:
-"Louvado seja o Senhor!"
A rua parece nova
Qual jardim que floresceu.
Cada vitrine enfeitada
Repete: "Jesus nasceu!"
Descalça, vestido roto,
Mariazinha lá vai...
Sozinha, sem mãe que a beije,
Menina triste, sem pai.
Aqui e ali, pede um pão...
Está faminta e doente.
Vadia, saia daqui! É o grito de muita gente.
Menina de rua! sua ladra Dizem outros!
Saia daqui, menina feia!
Toda criança de rua
Deve dormir na cadeia!
Mariazinha tem fome
E chora, sentindo em torno
O vento que traz o aroma
Do pão aquecido ao forno.
Abatida, fraca e cansada,
Depois de percurso enorme,
Estira-se na calçada...
Tenta o dormir, mas não dorme.
Nisso, um moço calmo e belo
Surge e fala, doce e brando:
- Mariazinha, você...
Está dormindo, ou pensando?
A pequenina responde,
Erguendo os bracinhos nus:
- Hoje é noite de Natal,
Estou pensando em Jesus.
- Não recorda mais alguém?
E ela, a chorar, disse: -Eu
Penso também, com saudade,
Em minha mãe que morreu...
- Se Jesus aparecesse,
Que é que você queria?
Eu queria que ele me desse
Um bolo da padaria...
E depois de comer, então
- E a pobre sorriu contente - Queria um par de sapatos
E uma blusa grande e quente...
Depois...queria uma casa,
Assim como todos têm...
Depois de tudo...eu queria
Uma boneca, também...
-Pois saiba, Mariazinha,
Eu lhe digo que assim seja!
Você hoje terá tudo
tudo Aquilo que mais deseja.
- Mas, o senhor, quem é mesmo?
E ele a olha com os olhos em luz:
- sou seu amigo de sempre,
Minha filha, eu sou Jesus!...
Mariazinha, encantada,
Tonta de imensa alegria,
Pôs a cabeça cansada
Nos braços que ele estendia...
E dormiu vendo-se outra,
Em santo deslumbramento,
Aconchegada a Jesus
Na glória do firmamento.
No outro dia, muito cedo,
Quando o lojista abre a porta,
Um corpo cai leve e mansinho...
A menina estava morta
Obrigada pela lembrança!!!!!!!!!!!!!!!!!
Os dois horizontes
Dois horizontes fecham nossa vida:
Um horizonte, — a saudade
Do que não há de voltar;
Outro horizonte, — a esperança
Dos tempos que hão de chegar;
No presente, — sempre escuro, —
Vive a alma ambiciosa
Na ilusão voluptuosa
Do passado e do futuro.
Os doces brincos da infância
Sob as asas maternais,
O vôo das andorinhas,
A onda viva e os rosais.
O gozo do amor, sonhado
Num olhar profundo e ardente,
Tal é na hora presente
O horizonte do passado.
Ou ambição de grandeza
Que no espírito calou,
Desejo de amor sincero
Que o coração não gozou;
Ou um viver calmo e puro
À alma convalescente,
Tal é na hora presente
O horizonte do futuro.
No breve correr dos dias
Sob o azul do céu, — tais são
Limites no mar da vida:
Saudade ou aspiração;
Ao nosso espírito ardente,
Na avidez do bem sonhado,
Nunca o presente é passado,
Nunca o futuro é presente.
Que cismas, homem? — Perdido
No mar das recordações,
Escuto um eco sentido
Das passadas ilusões.
Que buscas, homem? — Procuro,
Através da imensidade,
Ler a doce realidade
Das ilusões do futuro.
Dois horizontes fecham nossa vida.
Machado de Assis
CABOCLAS
Flores que nascem e crescem com viço eterno.
Jasmins, lírios, rosas... aroma de mulher.
São estrelas que nos guiam para um novo crepúsculo.
São pombas, faisões, colibris... Almas maternais.
Um mundo de árvores, raízes, fecundações e água doce - Mel das flores.
O vento espalha as plumas, flechas cortam o tempo num vôo azul.
O que há na beira ou nas águas do rio, além de pedras?
Sereias, Ondinas, Iaras... Caboclas das águas.
Entre as florestas. A exuberância colorida dos penachos surge como pétalas.
Jurema, Jupira, Jussara, Jacira, não importam os nomes, cada um tem a graça e a cor da flor abençoada.
Caboclas guerreiras e meigas sereias.
Nas águas ou em meio das matas, são elas a mais pura emanação da força e da beleza indígena.
Índias que lutam , pescam e caçam , deixando no caminho o espírito das flores, a liberdade dos pássaros e a luz da estrela guia.
Publicado na Antologia Scortecci
UM PRETO VELHO
À beira mar um Preto Velho
costuma meditar.
Os pensamentos navegam e vão atracar na pátria amada, África.
Nos tempos de menino era livre como um passarinho.
Homem feito, escravo em terras alheias.
Lembrou-se de alguns fiéis, que não tiveram a mesma sorte,
sucumbiram ao frio do sul das cordilheiras.
Destino de alguns, o seu foi trabalhar, apanhar no tronco
e rezar as escondidas. Cultuar os deuses que lhe
davam forças para sobreviver.
As cicatrizes foram tatuadas e não o deixaram perder a fé.
Cada uma delas representa um ensinamento, uma lição de humildade.
Tornou-se sábio ancião.
Eu o tenho visto, trazendo no peito um colar de brancas conchas, deitado nas areias do tempo a reverenciar o mar. Se as lágrimas brotam de seus olhos, ninguém saberá, pois ele faz questão
de entregá-las as águas da sua Mãe, Yemanjá.
Com o passar dos anos
Amadurecem as ilusões da Vida..
Conquistam-se objectivos..
Ganha-se experiência..
Criam-se amizades..
Vivem-se paixões..
Realizam-se sonhos..
Hoje é o meu Aniversário
Hoje mais uma janela se abre
Diante dos meus olhos..
Hoje proponho procurar-me a mim mesmo..
Viajar por dentro de mim..
Percorrer os trilhos da Vida
Com optimismo..
Com esperança..
Com alegria..
Com um sorriso..
Procurando ser melhor
A cada dia.. A cada ano..
Procurando a felicidade..
Hoje é o meu Aniversário
Hoje ouso gritar
Que existo..
Que sou lindo..
Que mereço ser feliz..
Hoje é o meu Aniversário
Hoje mando um sorriso especial
A todos os meus Amigos..
Um sorriso para os meus velhos Amigos..
Um sorriso para os meus novos Amigos..
Um sorriso para todos
Os que fazem parte da minha Vida..
Um sorriso pelas brincadeiras..
Um sorriso pelo apoio..
Um sorriso pela companhia..
Um sorriso pela paciência..
Um sorriso pela amizade..
Um sorriso sincero..
Cheio de luz.. Cheio de cor..
Socorro Cavalcanti
Com o passar dos anos
Amadurecem as ilusões da Vida..
Conquistam-se objectivos..
Ganha-se experiência..
Criam-se amizades..
Vivem-se paixões..
Realizam-se sonhos..
Hoje é o meu Aniversário
Hoje mais uma janela se abre
Diante dos meus olhos..
Hoje proponho procurar-me a mim mesmo..
Viajar por dentro de mim..
Percorrer os trilhos da Vida
Com optimismo..
Com esperança..
Com alegria..
Com um sorriso..
Procurando ser melhor
A cada dia.. A cada ano..
Procurando a felicidade..
Hoje é o meu Aniversário
Hoje ouso gritar
Que existo..
Que sou lindo..
Que mereço ser feliz..
Hoje é o meu Aniversário
Hoje mando um sorriso especial
A todos os meus Amigos..
Um sorriso para os meus velhos Amigos..
Um sorriso para os meus novos Amigos..
Um sorriso para todos
Os que fazem parte da minha Vida..
Um sorriso pelas brincadeiras..
Um sorriso pelo apoio..
Um sorriso pela companhia..
Um sorriso pela paciência..
Um sorriso pela amizade..
Um sorriso sincero..
Cheio de luz.. Cheio de cor..
Socorro Cavalcanti